Feliz Natal

O Verbo – a vontade de Deus – se faz carne e vem.

Vem habitar entre nós. Naquela vez e renovadamente. Encarna em menino frágil. Tao frágil que podemos rejeitar sua acolhida; que podemos mandá-lo nascer na periferia e na estrebaria, na beira da estrada ou debaixo da ponte. Os primeiros que voltam seus olhos para o frágil menino são os pastores de ovelhas.

Não os donos das ovelhas, mas os empregados que pernoitam no campo – sem carteira assinada, sem aposentadoria, sem seguro desemprego, sem seguro de acidentes, sem férias, sem plano de saúde.

Pior: Pastores de ovelhas marcados como impuros, porque lidam com animais, com esterco e com sangue. Não a impureza higiênica. Pior: A impureza para culto, que marca as pessoas como indignas para entrar no templo, indignas para celebrar, indignas para venerar a Deus, indignas para ser de Deus. Portanto: Pastores marcados como indignos e como culpados, eles mesmos, dessa indignidade que o sistema lhes atribui, porque o sistema precisa de excluídos que cuidam das ovelhas dos privilegiados. Surpresa: São eles, os pastores de ovelhas excluídos, os primeiros que recebem e também os primeiros que acolhem a Boa Notícia do amor de Deus, o Evangelho da Inclusão, que lhes anuncia dignidade e libertação: Não tenham medo …

Puxa!! A vontade de Deus feita menino que nasce na estrebaria dá uma chacoalhada fortíssima em sistemas que dividem as pessoas em puras e impuras, em famílias de bem e maus elementos, privilegiados e esquecidos, empanturrados e carentes, incluídos e excluídos, condominiados e favelados. Por isso, não poderia ser diferente: Desde já tem gente com madeira, martelo e prego na mão, para levar a vontade de Deus para a cruz. Sempre tem

(Advento 2014).

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